A maioria dos pacientes ficaram imune e permaneceu livre de câncer durante o estudo da primeira fase

Em um ensaio clínico de fase 1 liderado em parte pelo UCLA Health Jonsson Comprehensive Cancer Center, pesquisadores testaram a vacina (ELI-002 2P) com 25 pacientes que haviam sido tratados para câncer de pâncreas e colorretal.

Todos os pacientes passaram por cirurgia para remover tumores e apresentaram “sinais de doença residual mínima” ou traços de DNA, o que os coloca em alto risco de recorrência, de acordo com um comunicado à imprensa da UCLA.

Mais de 80% dos pacientes com câncer de pâcreas apresentam recorrência da doença após a cirurgia, segundo pesquisas — e para 40% a 50%, isso acontece no primeiro ano.

Para o câncer colorretal, a taxa de recorrência fica entre 30% e 50% e é mais provável que ocorra nos primeiros dois anos após a cirurgia.

Mutações no gene KRAS são responsáveis por metade dos cânceres colorretais e mais de 90% dos cânceres de pâncreas. A vacina, que tem como alvo essas mutações, foi administrada por meio de uma série de injeções para ativar uma resposta imune nos gânglios linfáticos.

A maioria (21 de 25) dos pacientes gerou “células T específicas para KRAS”, o que indica uma resposta imunológica mais forte. Os pacientes com respostas mais altas de células T apresentaram sobrevida livre de recidivas mais longa em comparação com aqueles com respostas mais baixas, descobriram os pesquisadores.

Para três pacientes com câncer colorretal e três pacientes com câncer de pâncreas, a vacina pareceu remover todos os biomarcadores da doença.

Entre os pacientes que apresentaram a reposta imunológica mais forte, a maioria ainda estava livre do câncer quase 20 meses após receber a vacina. As descobertas foram publicadas na Nature Medicine.

“Este é um avanço empolgante para pacientes com cânceres causados por KRAS, particularmente câncer de pâncreas, onde a recorrência após o tratamento padrão é quase certa e as terapias eficazes são limitadas”, disse o primeiro autor do estudo, Zev Wainberg, MD, professor de medicina na David Geffen School of Medicine da UCLA e pesquisador no UCLA Health Jonsson Comprehensive Cancer Center, no comunicado. 

“Observamos que os pacientes que desenvolveram fortes respostas imunológicas à vacina permaneceram livres da doença e sobreviveram por muito mais tempo do que o esperado.”

“A nova vacina contra o câncer da UCLA é muito promissora como uma ferramenta importante contra esses tipos de câncer.”

Em outra descoberta, 67% dos pacientes no estudo mostraram respostas imunológicas a “mutações adicionais associadas a tumores”, indicando que a vacina poderia ser usada para suprimir “atividade antitumoral mais ampla”.

O estudo foi patrocinado e financiado pela Elicio Therapeutics, a empresa de Massachusetts que desenvolveu a vacina.

Foi realizado em conjunto com o MD Anderson Cancer Center e o Memorial Sloan Kettering Cancer Center.

O Dr. Marc Siegel, analista médico sênior da Fox News, não esteve envolvido no estudo, mas comentou que as terapias direcionadas estão se tornando ferramentas cada vez mais importantes na luta contra o câncer.

“Tumores sólidos, especialmente os pancreáticos, podem ser difíceis de tratar porque não são tão mutagênicos (capazes de induzir ou causar mutações) quanto malignidades hematológicas (cânceres no sangue) ou melanoma, por exemplo, então eles não têm tantos alvos prontos para imunoterapia” disse ele à Fox News Digital. foto: (iStock)

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